O sistema judiciário aceitou a acusação contra duas mulheres suspeitas de infligir sofrimento físico e psicológico a 34 crianças com idades entre 1 e 6 anos em uma creche particular situada em Alvorada, na área metropolitana de Porto Alegre. A decisão foi proferida na segunda-feira (6) pela 2ª Vara Criminal da localidade, que é especializada em delitos envolvendo crianças e adolescentes.
As acusadas exerciam as funções de gestora e educadora na instituição. Na mesma deliberação, o juiz Felipe Roberto Palopoli decidiu manter a prisão de uma das denunciadas, que ocupa o cargo de proprietária e gestora da escola. A defesa dessa mulher apresentou sua resposta à acusação na quarta-feira (8), enquanto aguarda a manifestação da outra ré sobre o caso.
Segundo a denúncia elaborada pelo MP-RS (Ministério Público do Rio Grande do Sul), os eventos teriam se desenrolado entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025. As acusações incluem repetidas agressões físicas e psicológicas, caracterizadas por gritos, humilhações e confinamento em ambientes escuros. Além disso, o MP também destaca a administração inadequada de medicamentos sedativos e negligência quanto à alimentação e higiene das crianças.
Contextualização do Caso
O escândalo veio à tona em dezembro de 2025, quando a creche particular localizada no bairro Maringá foi interditada após denúncias feitas por pais e responsáveis. Naquele momento, o Conselho Tutelar solicitou a interdição preventiva, enquanto a Vigilância Sanitária identificou diversas irregularidades tanto na infraestrutura quanto nos procedimentos adotados pela escola, que operava sem a autorização necessária dos órgãos competentes.
Ainda em dezembro, a Polícia Civil iniciou uma investigação para apurar as denúncias de maus-tratos e o possível uso indevido de medicamentos para manter as crianças “mais tranquilas”. O Instituto Geral de Perícias (IGP) foi convocado para realizar exames toxicológicos.
Ações Judiciais e Acusações do MP-RS
No mês de março deste ano, durante a Operação Dose de Silêncio, o Ministério Público juntamente com a Brigada Militar detiveram preventivamente duas mulheres associadas à escola. A investigação revelou que elas teriam administrado sedativos sem prescrição médica e cometido agressões físicas e psicológicas contra alunos com idades entre 2 e 5 anos.
<pAinda no final de março, o MP formalizou uma denúncia por tortura contra as duas acusadas, alegando práticas recorrentes contra 34 crianças ao longo de mais de um ano. A denúncia também incluiu ameaças direcionadas a um familiar de uma das vítimas, bem como um pedido por indenização mínima em favor das crianças afetadas.
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