Pinóquio: reinventando um conto atemporal

Caros leitores, o dia está desafiador para minha produção, mas vamos em frente. “The show must go on”. Antes de iniciarmos, como vocês estão? Eu confesso que minha disposição estava muito melhor antes de assistir ao filme que iremos discutir (risos). Em certos momentos, me pergunto se realmente era necessário mais uma versão de um clássico do cinema. Então, acomodem-se e vamos falar sobre Pinóquio, da Paris Filmes, previsto para 2026.

A primeira impressão não é das melhores quando a distribuidora faz um esforço excessivo na promoção do filme. Ao visualizar o trailer e procurar pela sinopse para nossa análise, não consegui conter a risada. O conteúdo simplesmente não correspondia ao que havia acabado de ver. Confira a sinopse divulgada:

“Após avistar uma estrela cadente, o carpinteiro Gepeto faz um desejo: que seu boneco recém-construído, Pinóquio, se torne um menino de verdade. Naquela noite mágica, o desejo se concretiza e começa uma série de aventuras.”

Se a história fosse apenas isso, talvez valesse o ingresso. Mas é inegável que houve uma propaganda enganosa aqui. Desculpem-me por ser repetitivo… Mas precisamos mesmo de mais uma adaptação do nosso amado boneco de madeira? Lembrando que no ano passado já tivemos duas versões: uma produzida pela Disney e outra pela Netflix. Pessoalmente, ainda não assisti essas interpretações, mas após ver essa nova produção, o que permanece na minha memória são a animação clássica de 1940 e o filme de 1996, que guardo com muito carinho.

Não estou afirmando que esses filmes sejam imutáveis ou definitivos. Contudo, entre eles e um longa-metragem que parece indeciso sobre sua identidade… Bem, acredito que minha preferência já esteja clara.

Nesta nova versão, o grilo falante foi substituído por três baratas em CGI. Ao vê-las, senti um desconforto imediato. Foi semelhante à experiência de assistir à adaptação cinematográfica de Cats (Universal Pictures, 2019). É realmente estranho e difícil de aceitar. Você tenta se deixar levar pelo filme, mas ele mesmo não colabora.

Faltam sentido e emoção; a coerência está ausente e as motivações parecem meramente cumprir uma lista de tarefas. Gepeto precisa fazer um desejo; qual pode ser? Ah sim, ele se lembra do desejo que ele e sua esposa tinham por um filho. Pronto! Temos um desejo! E agora? Ah, ele precisa criar um boneco de madeira porque a magia acontece em um pedaço desse material. Ok, temos o boneco… E qual é o próximo passo?

Dessa forma os eventos vão se desenrolando. Certamente pode-se alegar que é um filme voltado para crianças. Mas vejam bem: no ano passado tivemos A Casa Mágica da Gabby: O Filme (2025), que foi incrivelmente divertido e transmitiu uma mensagem coerente! Usar este novo Pinóquio como justificativa por ser dirigido ao público infantil é desrespeitoso. Além do mais, em certo momento houve tentativas de usar a linguagem da internet para dar continuidade à narrativa desconexa que estava sendo construído até então… E repentinamente o filme se transforma em um musical.

Confesso que demoramos para iniciar nossa lista dos “filmes ofensivos” deste ano. Porém abril chegou trazendo dois exemplos logo de cara! Se você perdeu o outro título da lista, confira aqui.

Então queridos amigos… Eu gostaria de poder afirmar que ao menos me diverti no final da exibição do filme. Porém a verdade é que a única coisa positiva foi ter assistido em uma cabine virtual da imprensa. Assim pude pausar quando quisesse para tomar água ou surtar fora da tela e continuar enfrentando essa tortura… Quer dizer, continuar assistindo.

Aguardo vocês no nosso próximo encontro! Se decidirem assistir ao filme, venham conversar comigo sobre isso. Mas lembrem-se: abril trará opções bem melhores nos cinemas! Fiquem atentos conosco para não perder as boas estreias e evitar as bombas (risos). Um abraço a todos vocês!

By Blog do Quadrante

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