As chuvas entre os dias 12 e 15 de fevereiro trouxeram alívio momentâneo para as lavouras de soja no Rio Grande do Sul, que vinham sofrendo com a falta de precipitações nas últimas semanas. Os dados foram divulgados no Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, nesta quinta-feira (19).
A umidade do solo foi parcialmente recomposta em uma área mais ampla, especialmente na Fronteira com o Uruguai e no Centro-Oeste do Estado, o que beneficiou a recuperação das plantas e temporariamente amenizou os efeitos do déficit hídrico.
Mesmo com a melhora recente, há uma alta variabilidade de potencial produtivo entre as lavouras de soja devido à distribuição irregular das chuvas e à constante demanda evaporativa. Isso resultou em déficits hídricos diferentes entre as regiões e áreas de cultivo, com algumas lavouras apresentando perdas devido ao estresse prolongado.
Esses fatores causaram impactos distintos, com algumas áreas mantendo a produtividade esperada com a continuidade das chuvas, enquanto em locais com déficit hídrico prolongado as perdas já estão consolidadas, principalmente em solos rasos e arenosos e em áreas de relevo elevado.
Situação Atual
No momento, 85% das lavouras de soja estão em fase reprodutiva, com 35% em florescimento e 50% em enchimento de grãos, etapa crucial para a definição do rendimento. Nas áreas mais afetadas, são observados sinais de senescência precoce, aborto de flores e vagens, redução da folhagem e desigualdade no crescimento das plantas.
Por outro lado, as lavouras em solos com boa retenção de água, como várzeas e áreas com cobertura de palha adequada, mantêm condições fisiológicas melhores e maior potencial produtivo.
Não há uma pressão significativa de pragas, com controles pontuais de ácaros, tripes e percevejos. A ferrugem-asiática está presente em algumas áreas com maior umidade, sendo controlada com fungicidas e alternância de princípios ativos.
Milho
Na colheita do milho, que alcança 58% da área cultivada, a produtividade tem sido satisfatória e próxima do esperado nas áreas já colhidas. Porém, nas lavouras remanescentes a variação de potencial produtivo é grande, devido à irregularidade das chuvas e ao déficit hídrico em fases críticas.
Nas áreas de segunda safra, a baixa umidade do solo e as altas temperaturas têm limitado o desenvolvimento das plantas. Onde houve chuvas recentes, há uma recuperação parcial do potencial, condicionada à continuidade das precipitações. A presença de cigarrinha está sendo monitorada e controlada em diversas regiões.
No milho destinado à silagem, o estresse hídrico ainda é um desafio, apesar das chuvas esparsas que ajudaram a reduzir os efeitos das altas temperaturas. As áreas com manejo adequado apresentam rendimento satisfatório, enquanto as áreas com manejo deficiente tiveram impactos na qualidade da silagem e produção de massa verde.
Em resumo, as chuvas recentes trouxeram alívio temporário para as lavouras de soja e milho no Rio Grande do Sul, mas a situação ainda demanda monitoramento e cuidados específicos para garantir um bom desenvolvimento e produtividade das culturas.
