Do Caburaí ao Chuí: escritores dos 27 estados mapeiam o Brasil pela literatura.

Projeto do Coletivo Aspas Duplas reúne autores de todo o país em coleção inédita que celebra a diversidade cultural brasileira.

Quem nunca ouviu falar na famosa expressão “do Oiapoque ao Chuí”,usada para se referir ao longo trecho que vai do norte ao sul do país? No entanto, verdade seja dita: o Oiapoque (no extremo norte do estado do Amapá) NÃO é o ponto mais “alto” do Brasil como muitos ainda acreditam.

A 1.465 metros de altitude, no município de Uiramutã, na fronteira de Roraima com a Guiana Francesa, está localizado o Monte Caburaí, esse sim o ponto mais ao extremo norte do país. “Cabutai-tepê” na língua indígena local. Ali, inclusive, estão as terras indígenas dos Ingarikós.

Assim, o extremo norte do Brasil é no Monte Caburaí, em Roraima, e o Arroio Chuí — que na verdade encontra-se no município de Santa Vitória do Palmar e não no município de Chuí (ambos no Rio Grande do Sul) — é o extremo sul. Daí o termo devidamente atualizado: “do Monte Caburaí ao Arroio Chuí”, ou simplesmente: “do Caburaí ao Chuí”, nome de uma Coleção de Literatura Nacional, composta por quatro volumes incríveis.

27 escritores de cada uma das unidades federativas

Em um país marcado por contrastes culturais, geográficos e sociais, uma iniciativa literária tem se destacado por transformar essa diversidade em narrativa. A Coleção de Literatura Nacional do Caburaí ao Chuí, idealizada pelo Coletivo Aspas Duplas, reúne escritores dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal em um projeto editorial inédito que propõe um verdadeiro mapeamento do Brasil por meio da literatura contemporânea.

Mais do que uma coletânea, a obra se apresenta como um mosaico de vozes, estilos e experiências, conectando o extremo Norte ao Sul do país em páginas que revelam múltiplos Brasis — aqueles que coexistem, se contrastam e, ao mesmo tempo, se reconhecem.

Um Brasil escrito em quatro volumes

A coleção foi organizada em quatro livros, cada um dedicado a um gênero literário específico:

  • Poesias
  • Contos
  • Crônicas
  • Histórias infantis

A proposta editorial amplia o alcance da obra ao dialogar com diferentes públicos e sensibilidades, permitindo que o leitor percorra o país não apenas geograficamente, mas também por meio das formas de expressão que caracterizam a literatura brasileira.

Cada texto funciona como um território simbólico (um recorte de realidade, memória ou imaginação) que contribui para a construção de um retrato coletivo do Brasil contemporâneo.

Literatura como território de pertencimento

Ao reunir autores de todas as regiões, o projeto rompe com a lógica concentradora do mercado editorial tradicional e valoriza narrativas que, muitas vezes, permanecem à margem dos grandes centros.

Nesse sentido, a coleção reafirma o papel da literatura como ferramenta de pertencimento e representação. Cada escritor carrega em sua escrita traços de sua origem, seja no vocabulário, nos cenários, nas referências culturais ou nas temáticas abordadas.

O resultado é uma obra plural, que evidencia a riqueza da produção literária independente e reforça a ideia de que o Brasil pode, e deve, ser contado por quem o vive em sua diversidade.

Um feito inédito na literatura independente

Reunir 27 autores, cada um representando uma unidade federativa, não é apenas um marco simbólico, mas também um desafio logístico e editorial que evidencia a capacidade de articulação do Coletivo Aspas Duplas.

A iniciativa consolida o coletivo como um dos principais movimentos da literatura independente no país, ao demonstrar que é possível construir projetos de alcance nacional sem depender dos modelos tradicionais de publicação.

Mais do que publicar livros, o coletivo propõe uma nova lógica: colaborativa, acessível e descentralizada.

E como escritor que sou e organizador desta Coleção, posso garantir que reunir escritoras e escritores dos muitos cantos do país foi, ao mesmo tempo, um desafio e um gesto de escuta. Cada texto aqui presente é fruto de uma conexão rara entre território e palavra, entre vivência e criação. O que se lê nestas páginas não são apenas histórias, são mapas afetivos, retratos de sotaques, memórias em construção e olhares que florescem das margens às capitais.

Do extremo Norte ao Sul, uma mesma história: a de quem escreve o Brasil

“Do Caburaí ao Chuí” deixa de ser apenas uma expressão geográfica para se tornar uma experiência literária. Ao folhear a coleção, o leitor percorre paisagens, sotaques e imaginários distintos, costurados por um elemento em comum: a necessidade de contar histórias. Em tempos de homogeneização cultural, a obra surge como um convite à escuta — e à leitura — de um Brasil múltiplo, pulsante e, acima de tudo, autoral.

Todos os livros que compoem a Coleção podem ser encontrados na loja da Uiclap.

Os volumes da Coleção — Poesias, Contos, Crônicas e Histórias Infantis — se entrelaçam como os rios que desenham o Brasil. As poesias, são como os ventos do litoral: carregadas de sal e sentimento, ora suaves, ora tempestuosas. Os contos nascem das serras e sertões, entre veredas e segredos, onde o real e o fantástico convivem como vizinhos de rede. As crônicas caminham pelas ruas e calçadas das cidades, observando a vida com olhos de quem sabe enxergar poesia no cotidiano. E as histórias infantis são igarapés de encantamento, onde brincam o folclore, a imaginação e a esperança do futuro.

Ao abrir cada um dos livros, o leitor é convidado a embarcar em uma viagem única. Uma travessia que não exige malas nem passaporte, apenas sensibilidade e desejo de conhecer o Brasil que vive nas palavras de seus autores.

Permita-se percorrer este território literário, e descobrir que o Brasil também se lê.

 

Rafael Caputo
(11) 95339-4380
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By Blog do Quadrante

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