De estrategista de marcas a futurista: o pensador que ajuda organizações a se prepararem para o amanhã

A trajetória profissional de Augusto Carminati começou em uma área bastante familiar ao mundo dos negócios: o branding. Por anos, ele ajudou empresas a entenderem como as marcas se posicionam na cultura, constroem significado e se relacionam com o comportamento das pessoas.  

Durante este percurso, desenvolveu metodologias próprias e passou a circular por ecossistemas de inovação, design e empreendedorismo. A experiência nas consultorias ampliou seu olhar e abriu espaço para uma nova abordagem em seus projetos.  

“O próximo passo para marcas e empresas que já transitam bem pela sociedade atual é aprender a lidar com o que ainda não aconteceu”, diz.  

Esse pensamento voltado à antecipação somado a uma inquietação natural, o levou a uma nova área de interesse: os estudos de futuros. O repertório aplicado aos projetos de branding que liderou como sócio de uma agência e consultoria se tornou uma das bases para o futurista.  

Formando em Direito, sem nunca ter atuado na área jurídica, Carminati buscou pós-graduações em História, Antropologia e Semiótica. Hoje, ele se dedica a analisar tendências, comportamento e transformações sociais para ajudar organizações a tomarem decisões melhores diante de cenários incertos.

“O futuro nada mais é que uma forma de comprometimento; Em que pesem as incertezas, ele depende muito de você decidir agir hoje de acordo cenários possíveis e prováveis e principalmente com o amanhã que se quer construir”, explica.  

 

Inteligência antecipatória
Seu trabalho gira em torno do conceito de inteligência antecipatória, abordagem que busca traduzir a análise de tendências e cenários em ferramentas estratégicas para empresas, governos e instituições.

É nesse contexto que ele atua por meio da IMMA – Inteligência Antecipatória, sua consultoria que nasceu no branding e hoje é dedicada ao desenvolvimento de projetos de futuros.  

Entre suas iniciativas para além da IMMA está a Zeit, uma comunidade internacional que ele criou em 2020 para discutir mudanças sociais e futuros possíveis e que reúne participantes no Brasil e em diversos outros países. Funciona como uma espécie de rede para troca de conhecimento e experimentação de metodologias voltadas à análise do que vem pela frente.

“A ideia sempre foi um ambiente colaborativo onde pessoas de diferentes lugares pudessem pensar juntas sobre as transformações em curso”, explica ele, que ocupa função de líder da Zeit para a América Latina.

 Outro projeto, este em pleno processo de criação, é o Clube de Futuros, uma plataforma aberta que utiliza agentes de inteligência artificial para reunir sinais de mudança, análises e conteúdos sobre tendências globais, ampliando o acesso a reflexões estratégicas sobre o futuro.  

Sua mais recente proposta foi a criação do Fórum BRICS Futuros, que nasceu com o propósito de ser um hub permanente de cooperação em inovação, conectando empresas, startups, investidores e instituições dos países do BRICS em uma agenda voltada à atração de investimentos e promoção de exportações.  

“O BRICS representam uma parte enorme das transformações econômicas e sociais do mundo, e ainda exploramos pouco esse potencial de cooperação em inovação”, observa Carminatti.

Em novembro de 2025, a Câmara Municipal de Ribeirão Preto promulgou uma resolução que criou o Fórum no âmbito da casa de leis, institucionalizando o debate.

Além dos projetos institucionais, Carminati também trabalha com a ampliação do que chama de alfabetização em futuros. Parte dessa reflexão está em seu livro “Antropousia, o algoritmo da humanidade” que explora as transformações humanas em um mundo marcado por aceleração tecnológica e mudanças culturais profundas.  

Em longo prazo, suas iniciativas se somam para embasar algo ainda pouco estruturado no Brasil: uma escola brasileira e latino-americana de pensamento sobre futuros.

O objetivo é iniciar os debates para uma criação coletiva capaz de analisar tendências a partir de contextos culturais, sociais e econômicos próprios do Brasil e da região.  

Se no passado seu trabalho ajudava empresas a entenderem como se posicionar no presente, hoje sua proposta é mais ampla. “Organizações precisam desenvolver visão estratégica para navegar em um mundo cada vez mais incerto. Antecipar-se ao que vem pela frente se tornou uma capacidade essencial”, conclui.  

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By Blog do Quadrante

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