O segmento menos conhecido do cooperativismo brasileiro cresce mais rápido do que qualquer outro e está mudando a relação dos consumidores com o dinheiro.
Enquanto o cooperativismo de crédito e o agronegócio cooperativo dominam os noticiários, um segmento menor e menos conhecido registrou em 2024 um resultado que poucos esperavam: crescimento de 620% nas sobras do exercício, saltando de R$ 67,1 milhões para R$ 483,3 milhões, segundo o Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2025. O cooperativismo de consumo está crescendo e mudando de perfil.
O que é o cooperativismo de consumo
Diferente das cooperativas de crédito ou agrícolas, as cooperativas de consumo organizam o poder de compra coletivo dos associados. A lógica é simples: quando um grupo compra junto, negocia melhores condições, reduz custos e distribui os resultados entre quem participou.
No Brasil, o segmento conta com 221 cooperativas ativas, 2,3 milhões de cooperados e 16 mil empregos diretos. São números ainda modestos — mas a curva de crescimento é a mais acentuada do setor.
Por que agora
O crescimento coincide com uma mudança comportamental do consumidor brasileiro. Segundo o Anuário, o que impulsiona a adesão não é mais apenas o preço é a demanda por relações mais transparentes e com maior percepção de retorno para quem consome. As pessoas não querem apenas pagar menos. Querem sentir que o consumo trabalha a favor delas.
Novos modelos além da cooperativa clássica
O crescimento vem acompanhado do surgimento de modelos que ampliam o conceito original. O Mercado Econômico Cooperativo (MEC), desenvolvido pela Gfi Hub, propõe um ecossistema onde consumidores, estabelecimentos e distribuidores participam de um mesmo fluxo de valor e todos capturam parte do resultado gerado.
“O consumidor urbano está percebendo que cooperação e tecnologia podem coexistir. O modelo cooperativo não precisa ser burocrático para ser eficiente.” — Odirlei Schuster, fundador da Gfi Hub, presente em mais de 400 cidades no Mercosul.
O que o crescimento de 620% revela
Esse número não é apenas financeiro. É comportamental. Revela que uma parcela crescente da população está disposta a mudar como consome desde que o modelo seja claro, acessível e entregue resultado real.
O cooperativismo de consumo ainda representa uma fração pequena do mercado. Mas os dados de 2024 sugerem que a janela de crescimento está aberta e que quem entrar cedo terá vantagem proporcional sobre quem esperar o modelo se consolidar.
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