No debate realizado no programa Fala Papah, os comentaristas Pinga e Daniel Cortez analisam a formação da Brazilian Storm e levantam a possibilidade de um gap de até 10 anos no surfe brasileiro. Foto: Reprodução
A discussão em torno de um possível hiato no cenário do surfe brasileiro ganhou destaque no Fala Papah após as considerações de Luiz Henrique Pinga e Daniel Cortez sobre a estrutura de base, mercado e desenvolvimento de atletas.
Esse debate surgiu em um contexto mais amplo que envolve mercado, surfwear, investimentos e formação de novos talentos. O tema logo se espalhou entre os profissionais do setor e alcançou repercussão internacional, levando à reflexão central de que o sucesso do surfe brasileiro não ocorreu por acaso.
“Não foi à toa”: o que sustentou a Brazilian Storm
Durante a discussão, os convidados destacaram que o período de sucesso do surfe brasileiro foi resultado de uma estrutura mais consolidada no passado: equipes bem organizadas dentro das marcas, programas consistentes de formação na base, viagens com os atletas, ações estratégicas e um calendário nacional robusto que proporcionava experiência competitiva.
Daniel Cortez mencionou, por exemplo, a época em que “tínhamos 10 atletas” na equipe da Volcom, com um programa completo de desenvolvimento.
Por outro lado, Pinga enfatizou um ponto crucial da formação:
“É preciso aprender a perder para aprender a ganhar.”
Para ele, os circuitos nacionais e os formatos de transição ajudavam os jovens a compreender o jogo de alto rendimento e os preparavam mental e tecnicamente para o cenário global.
Por que eles acreditam em um possível “gap”
Durante o diálogo, os participantes deixaram claro que não se trata de atribuir culpa a alguém em específico. Para eles, diversos fatores contribuíram para as mudanças no ecossistema ao longo do tempo. No entanto, reconhecem a influência do mercado de surfwear e do ambiente estrutural do esporte nesse cenário.
Cortez complementou a análise com uma visão externa:
“Estou observando o que está acontecendo lá fora… eles estão fazendo exatamente o que costumávamos fazer e paramos de fazer.”
A conclusão do debate foi clara: enquanto o Brasil diminuiu parte da estrutura de base, outros países passaram a investir nesse modelo específico.
Austrália e Europa em destaque
Cortez destacou a Austrália como exemplo de retomada estrutural. Por outro lado, Pinga ampliou a análise ao mencionar o crescimento do surfe na Europa, citando especialmente a Espanha (especialmente as Canárias), além da evolução em Portugal e o surgimento de novos talentos em diversos pontos do continente.
A perspectiva apresentada no episódio não é de que o surfe brasileiro perdeu sua importância, mas sim de que o cenário internacional evoluiu — e sem investimentos consistentes na base, pode haver um intervalo significativo entre a geração atual e a próxima leva dominante.
Investimento na base e visão a longo prazo
Os participantes reforçaram a ideia de que não há um único responsável. Foram mudanças, decisões e adaptações ao longo do tempo que moldaram a situação atual.
E finalizaram o alerta: sem uma estrutura sólida e investimentos contínuos, o país pode enfrentar um período de transição mais prolongado do que o esperado.
O debate não soa como pessimismo, mas como uma reflexão estratégica.
Assista ao episódio completo do Fala Papah para mais detalhes:
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