A escassez de diesel já está afetando 142 prefeituras no Rio Grande do Sul, de acordo com um levantamento preliminar divulgado pela Famurs (Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul). Esse total representa 45% das 315 administrações municipais que responderam ao questionário da entidade.
Essa situação adversa começou a impactar os serviços públicos e o transporte coletivo em cidades gaúchas. Prefeituras estão priorizando áreas como saúde e transporte de pacientes, enquanto obras e atividades que dependem de máquinas estão sendo suspensas.
A preocupação da entidade é que, se a escassez persistir, o problema se intensifique afetando o transporte escolar e o deslocamento de pacientes para outras cidades.
Impacto no transporte coletivo
No transporte urbano, cidades já estão mudando suas operações para preservar os estoques de combustível. Em Rio Grande, a empresa Transpessoal reduziu os horários de ônibus durante os períodos de menor movimento desde 10 de março.
Em São Leopoldo, o serviço chegou a ser interrompido no domingo (15) e funcionou apenas nos horários de pico no sábado (14), com uma normalização ao longo desta semana.
Já em Novo Hamburgo, a VISAC readequou os horários de 29 das 93 linhas aos sábados e domingos a partir deste sábado (21). Em Bento Gonçalves, a operação do transporte coletivo foi suspensa nos domingos (22) e (29), e nos sábados (21) e (28) os ônibus estão operando apenas das 5h45 às 13h.
Locais com escassez de diesel
No detalhamento por associações de municípios, o levantamento mostra um maior número de respostas positivas em entidades como a AMCENTRO (Associação dos Municípios da Região Central do Estado), com 12 prefeituras relatando falta de diesel, a AMESNE (Associação dos Municípios da Encosta Superior do Nordeste), com 7, e a Granpal (Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre), com 1.
No entanto, há uma discordância sobre a gravidade da situação. A Famurs afirma que parte das prefeituras já enfrentam a falta de diesel. O Sulpetro (Sindicato Intermunicipal do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do Rio Grande do Sul) sustenta que não há desabastecimento no estado, mas admite um racionamento de abastecimento das distribuidoras para os postos.
A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) afirmou que está monitorando o mercado e, até o momento, não identificou restrições na disponibilidade de combustíveis no país.
A demanda crescente por diesel ocorre em meio ao aumento do petróleo no mercado internacional após a escalada do conflito no Oriente Médio. O governo federal anunciou medidas para tentar conter o aumento dos preços, mas a desoneração divulgada ainda não chegou às bombas.
A postagem original foi feita no site Agora RS.
