A Justiça emitiu um mandado de prisão preventiva contra o policial militar Cristiano Domingues Francisco, de 39 anos. Ele está sendo investigado pelo sumiço de Silvana Germann de Aguiar e seus pais, ocorrido em Cachoeirinha, na área metropolitana de Porto Alegre. O requerimento foi apresentado pela Polícia Civil na última segunda-feira (6).
Cristiano permanece detido desde o dia 10 de fevereiro no BOE (Batalhão de Operações Especiais), localizado em Porto Alegre. Inicialmente, sua prisão era temporária, com término previsto para o final desta semana. Com a nova determinação judicial, sua detenção agora se torna indefinida.
O policial, que foi parceiro de Silvana, encontra-se afastado do serviço na Brigada Militar. Silvana, com 48 anos, foi avistada pela última vez em 24 de janeiro. No dia subsequente, seus pais, Isail Vieira de Aguiar, de 69 anos, e Dalmira Germann de Aguiar, de 70 anos, também desapareceram.
As autoridades tratam o caso como feminicídio, duplo homicídio e ocultação de cadáver. A investigação já reuniu indícios suficientes para que Cristiano possa ser indiciado por essas infrações.
Inquérito se aproxima da conclusão
O delegado Anderson Spier informou que o inquérito está quase finalizado. A expectativa da polícia é concluir a investigação até o dia 16 de abril e encaminhar os resultados à Justiça antes do prazo que termina em 20 do mesmo mês.
Na segunda-feira (6), Cristiano foi chamado para prestar depoimento, mas optou por permanecer em silêncio. Segundo sua defesa, esse é um direito do acusado e eles aguardam ter acesso completo às informações do inquérito antes de se posicionarem sobre o caso.
A investigação também considera duas possíveis motivações para os crimes. A primeira diz respeito a desavenças entre Cristiano e Silvana sobre a criação do filho do casal. A segunda envolve disputas patrimoniais relacionadas aos bens da família Aguiar.
Duas semanas antes do desaparecimento dos três, Silvana procurou o Conselho Tutelar para relatar divergências envolvendo os cuidados com seu filho que apresentava restrições alimentares.
Mais três indivíduos sob investigação
Além de Cristiano, outras três pessoas estão sendo investigadas em conexão com os eventos relacionados ao caso. Segundo a Polícia Civil, elas não são consideradas participantes diretas dos desaparecimentos, mas podem ter tentado obstruir a apuração dos fatos.
Uma dessas pessoas é alvo de uma investigação por fraude processual, por supostamente ter eliminado dados em dispositivos eletrônicos e armazenamento na nuvem. Outra figura também enfrenta acusações semelhantes por deletar imagens capturadas por câmeras na residência que Cristiano e sua mãe compartilham.
A terceira pessoa sob investigação é acusada de falso testemunho. De acordo com o delegado responsável pelo caso, essa pessoa teria mentido durante seu depoimento para fornecer álibis falsos ao principal suspeito.
