No Tribunal do Júri de Bom Jesus, na Serra Gaúcha, três dos quatro réus envolvidos no assassinato do caminhoneiro Luciano Boeira Melos receberam sentença condenatória. O desfecho do julgamento ocorreu por volta das 23h na quarta-feira (29), após duas longas jornadas de audiência.
Felipe Silveira Noronha e Flávio Silveira Noronha foram sentenciados a 20 anos de prisão, além de três meses em regime fechado. Já Fabiana Ramos Saraiva foi condenada a 18 anos e oito meses de reclusão, também com os mesmos três meses de detenção.
Por outro lado, José Balduíno Saraiva, pai de Fabiana, foi absolvido de todas as acusações que pesavam contra ele. É possível recorrer da decisão tomada pelo júri.
A juíza Luciana Rech Slaviero Porath ordenou a prisão imediata dos réus presentes na audiência. Eles foram levados à delegacia e, em seguida, encaminhados ao sistema penitenciário.
Ossos humanos descobertos durante investigações
Durante operações em uma área rural de Bom Jesus, equipes do Corpo de Bombeiros junto com policiais civis localizaram ossos humanos. Acredita-se que os restos possam ser de Luciano, que está desaparecido desde julho de 2023.
Os fragmentos foram enviados ao Instituto Geral de Perícias (IGP) para análise com o objetivo de confirmar a identidade dos restos encontrados. Um primeiro fragmento já havia sido descoberto na quarta-feira, coincidindo com o andamento do júri.
As buscas tiveram início após Felipe admitir sua participação no crime e indicar o local onde teria deixado o corpo. Esse local está situado na região de Caraúno, a aproximadamente 40 minutos do Centro de Bom Jesus.
A família aguarda a confirmação da identidade dos ossos para poder emitir a certidão de óbito e realizar o sepultamento de Luciano.
Penas atribuídas aos réus
Felipe foi responsabilizado por homicídio duplamente qualificado, ocultação de cadáver e fraude processual. As qualificadoras aceitas foram motivação torpe e uso de recursos que dificultaram a defesa da vítima.
Flávio recebeu uma condenação idêntica à de Felipe pelos mesmos delitos e qualificadoras.
Fabiana foi considerada culpada por homicídio qualificado e fraude processual, mas foi isenta da acusação relacionada à ocultação do cadáver.
Luciano tinha apenas 27 anos e exercia a profissão de caminhoneiro. Segundo as informações apresentadas na denúncia, o assassinato ocorreu entre os dias 26 e 27 de julho de 2023 após ser revelado um relacionamento extraconjugal entre ele e Fabiana.
Defesas preparam recursos
A defesa de Fabiana anunciou sua intenção de recorrer da sentença e buscar a anulação do julgamento. O advogado Tiago Bottene, que representa também Felipe e José Balduíno, argumenta que a acusação utilizou o silêncio dos réus como estratégia para influenciar os jurados, algo que é proibido pelo Código de Processo Penal.
A defesa de Flávio também manifestou seu desejo de apresentar um recurso contra a condenação.
Caso o júri seja anulado, os três réus poderão enfrentar um novo julgamento, enquanto a absolvição de José Balduíno seguirá válida.
