Na zona norte de Porto Alegre, as obras de contenção de cheias entre os bairros Anchieta e Sarandi receberam a instalação de duas bombas submersíveis, que juntas têm a capacidade de drenar 6 mil litros de água por segundo.
Esses dispositivos foram entregues ao Departamento Municipal de Água e Esgotos (DMAE) na última sexta-feira, dia 24, com um investimento total de R$ 3,2 milhões. Eles desempenharão um papel crucial para garantir que as intervenções realizadas nos pôlderes 7 e 8 continuem funcionando, mesmo durante momentos em que o nível do rio Gravataí se eleva.
Com mais de 50% da obra já concluída, a previsão é que tudo esteja finalizado até o final de agosto.
Obra busca impedir refluxo do Gravataí
A iniciativa inclui a construção de barreiras nos locais onde o Rio Gravataí encontra os arroios Passo das Pedras e Areia. O principal objetivo é evitar que as águas do rio invadam os cursos d’água e as galerias, direcionando-se para a área urbana entre os bairros Anchieta e Sarandi, assim como para a região próxima ao Aeroporto Internacional Salgado Filho.
No arroio Passo das Pedras, está sendo erguido um dique com cerca de 100 metros. Temporariamente, o curso d’água foi desviado e deve retornar ao seu leito original através de novas galerias após a finalização da obra.
Durante as cheias do Gravataí, comportas serão utilizadas para bloquear essa ligação. Já no Arroio Areia, está programada a instalação de um sistema móvel para fechamento das galerias.
O financiamento deste projeto é proveniente do Funrigs (Fundo do Plano Rio Grande), totalizando aproximadamente R$ 47 milhões. Deste montante, R$ 24,2 milhões foram destinados à contratação das obras civis, enquanto o restante abrange equipamentos como bombas flutuantes, geradores e eletrocentros.
Sistema dependerá de bombeamento
A obstrução das saídas naturais dos arroios diminui uma das rotas pelas quais as águas do Gravataí podem entrar, mas implica que a drenagem da área protegida ficará dependente do bombeamento em situações de cheia.
As duas bombas submersíveis assegurarão essa operação enquanto as obras estiverem em execução. Após a conclusão dos trabalhos, o sistema permanente deverá contar com bombas flutuantes semelhantes àquelas usadas para remover água acumulada no Sarandi durante a enchente ocorrida em 2024.
Esses equipamentos submersíveis permanecerão sob a gestão do DMAE e poderão ser realocados para outras partes da cidade conforme necessário.
É importante ressaltar que essa intervenção não elimina completamente o risco de alagamentos devido à chuva intensa na área protegida. Essa situação também dependerá da eficiência na retenção e remoção da água acumulada.
A administração municipal sugeriu que as próximas fases incluam uma bacia permanente para amortecimento e duas novas Estações de Bombeamento de Águas Pluviais (EBAPs). No entanto, essas alterações ainda estão sujeitas à aprovação dos governos estaduais e federais.
