Na terça-feira, 9 de outubro, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul efetuou a prisão de 18 indivíduos em uma operação interestadual voltada para combater o golpe do falso executivo. A ação, denominada Operação Interface, foi realizada pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas.
As investigações revelaram uma fraude eletrônica que resultou em um prejuízo de R$ 193.601,89 para uma empresa do setor industrial.
No total, foram executadas 87 medidas cautelares nos estados do Mato Grosso e Rio Grande do Norte, incluindo 60 mandados de busca e apreensão, além de 27 ordens de prisão.
Durante a operação, também foram bloqueadas contas bancárias associadas aos suspeitos. Os agentes apreenderam veículos, motocicletas, celulares, chips e R$ 15 mil em dinheiro.
Mecanismo do golpe
O golpe do falso executivo consiste em criminosos que utilizam aplicativos de mensagens para se passarem por altos executivos de empresas. A estratégia tem como finalidade persuadir funcionários da área financeira a realizarem transferências bancárias para contas controladas pelos golpistas.
No caso em questão, uma assistente financeira recebeu mensagens de um número que mostrava a foto do presidente da empresa. Como o executivo estava em viagem e frequentemente solicitava pagamentos via mensagem, a funcionária acreditou na autenticidade da ordem recebida.
As transferências ocorreram no dia 5 de fevereiro de 2025. Dois dias após as movimentações financeiras, a funcionária começou a desconfiar dos valores altos e da rapidez entre os pedidos. Ao investigar o número utilizado, ela percebeu que não era o telefone oficial do presidente.
Divisão das responsabilidades na fraude
A investigação revelou que o golpe foi orquestrado principalmente a partir da região de Cuiabá, no Mato Grosso. Posteriormente, os valores obtidos eram repassados a outros membros que habitavam diferentes estados.
As apurações mostraram uma organização com divisão clara de funções: alguns indivíduos forneciam contas bancárias para receber os fundos ilícitos, enquanto outros atuavam como recrutadores e gerentes do esquema fraudulento.
A Polícia Civil também conseguiu identificar tanto o executor quanto o articulador da fraude, ambos com histórico criminal relacionado a delitos semelhantes.
Os valores obtidos eram rapidamente fracionados e enviados para diversas contas em diferentes estados. Essa estratégia visava dificultar o rastreamento dos recursos e complicar sua recuperação pelas autoridades.
Recomendações para empresas
A Polícia Civil recomenda que as empresas implementem procedimentos rigorosos de validação para qualquer solicitação de transferências bancárias.
A atenção deve ser redobrada especialmente em casos que envolvam troca de contas bancárias, pedidos urgentes ou movimentações financeiras significativas.
É aconselhável validar as operações por meio de múltiplos canais de comunicação e, sempre que possível, entrar em contato direto com a pessoa responsável pela solicitação.
A operação recebeu suporte do Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça e contou com a colaboração das polícias civis dos estados do Mato Grosso e Rio Grande do Norte.
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