Mais de 90% querem propostas sobre clima nas eleições de 2026, diz pesquisa
Nove em cada dez brasileiros ouvidos em uma pesquisa da Ipsos consideram importante que os candidatos às eleições de 2026 apresentem propostas para enfrentar as mudanças climáticas. O índice chega a 91%, sendo que 62% classificam o tema como muito importante.
A importância atribuída ao assunto aparece em diferentes segmentos políticos. Entre os entrevistados que se identificam com a esquerda, 96% consideram importante que os candidatos apresentem propostas para a área. O índice é de 95% entre os que se dizem de centro e de 87% entre os de direita.
O clima, porém, não aparece entre as primeiras preocupações quando os participantes precisam escolher os três principais problemas do país. Insegurança pública e criminalidade lideram, com 49% das menções, seguidas pelo aumento do custo de vida ou inflação, com 41%, violência contra as mulheres e feminicídios, com 36%, e qualidade da saúde pública, com 34%. Mudanças climáticas e crise ambiental aparecem com 19%.
A pesquisa também mostra uma avaliação crítica sobre a atuação do poder público. Para 68% dos entrevistados, o governo brasileiro não tem um plano claro para enfrentar as mudanças climáticas. Outros 11% discordam dessa afirmação e 18% não concordam nem discordam.
De quem é a responsabilidade?
Ao serem perguntados sobre quem deveria assumir a maior responsabilidade por liderar ações de enfrentamento às mudanças climáticas, 50% apontaram o governo federal como primeira opção. Congresso Nacional e governos estaduais e municipais receberam 14% cada, enquanto sociedade e empresas foram mencionadas por 13% e 9%, respectivamente.
Entre os entrevistados, 87% concordam que as mudanças climáticas estão provocando secas, chuvas intensas e ondas de calor no país, e 85% consideram que elas afetam o cotidiano dos brasileiros. Para 79%, o tema deve ser priorizado mesmo que isso implique custos econômicos, enquanto 76% avaliam que ainda é possível evitar os impactos mais graves caso medidas sejam adotadas agora.
Quando a pergunta trata apenas de problemas ambientais, as mudanças climáticas passam para o primeiro lugar, com 35%. Gestão de resíduos e lixo aparece com 21%, qualidade do ar e poluição com 15%, e escassez de água e seca com 14%.
A maior parte dos participantes também atribui ao menos parte das mudanças climáticas à atividade humana. Para 58%, ela é a principal causa do fenômeno. Outros 36% apontam uma combinação entre ação humana e fenômenos naturais, enquanto 5% atribuem o problema principalmente a causas naturais.
Prioridades do governo
Entre as prioridades ambientais desejadas para o governo, 60% mencionaram apoio à agricultura sustentável e combate ao desmatamento ilegal, 53% a ampliação de projetos de energia renovável, 48% investimentos em infraestrutura de adaptação climática e 41% a expansão da energia solar residencial para reduzir a conta de luz. A pergunta permitia a escolha de três prioridades.
A pesquisa “Clima e meio ambiente na percepção dos brasileiros” ouviu 1.800 pessoas com 18 anos ou mais, de todas as regiões do país. O levantamento foi feito online, com amostragem não probabilística por cotas. Os resultados foram ponderados por macrorregião, sexo e faixa etária com base nos dados do Censo.
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